sexta-feira, 15 de março de 2013

Frase


Vivendo de despedidas...

 
 Um dia que eu nunca irei esquecer, dia em que meu coração de criança experimentou a dor adulta 
as lágrimas banharam-me o rosto, chorei como nunca, sofri como se aquele momento fosse o último.
É não foi o último abraço, mas foi  a última vez que vi meus pais juntos no nosso lar, traições, mentiras, colocaram um ponto final no casamento, foi um sentimento de vázio que tomou conta de mim naquela dia.
Vi meu pai chorar, colocando em uma mala, roupas, lembranças.
no coração guardou o amor que sentia por minha mãe, e por nós seus filhos.
As roupas, lembranças encontraram um outro lugar e foram guardadas, já o amor ele carrega sempre no peito.
É sempre muito triste acordar, e dar de cara com outro homem dormindo ao lado de minha mãe, e é nesse momento que eu me sinto desprotegida, sem pai.
ela ganhou um novo amor, e eu perdi de conviver com um dos maiores amores da minha vida, o meu paizinho.
É tudo tão diferente, tão triste, ter que esperar um final de semana pra que eu possa de novo sentir aquele abraço.
Esperar aos sábados anciosamente  que ele venha até minha casa, antes nossa, é sempre muito animador
mas ao mesmo instante eu lembro que ao fim do domingo irá chegar o momento de novamente despedir-me, de deixar no seu abraço, o amor, a dor e as lágrimas que sempre molham seu ombro ao tentar me acalmar.
E a minha vida fica sendo assim , idas e voltas, choros e risos, sou tão pequena, ainda não entendo o porque disso tudo, mas sinto saudades, do seu sorriso, de rolar no chão e  com ele brincar, eu nunca imaginei que coisas tão simples um dia iriam me fazer tanta falta.
Sou uma menina que sonha, que reza e pede a Deus a reconstrução do que um dia foi minha familia
 eu sei que serei mais feliz, por enquanto vou juntando os pedacinhos de finais de semanas vividos, vou juntando aos poucos, em passos lentos e demorados, um quebra-cabeça que chamo de ESPERANÇA.
Esperança de ter um dia, tudo o que já tive, coisas simples, apenas um pai, uma mãe, uma familia.

                                                                Texto-Sandra Nóbrega